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Número de médicos no país cresce mais de 600%, mas eles se concentram nas capitais

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Em menos de cinco décadas, o total de médicos no Brasil aumentou 665,8%, índice muito maior do que o crescimento total da população do país, que foi de 119,7%. No entanto, esse rápido aumento não se traduziu em uma distribuição mais igualitária de profissionais. Essa é a conclusão da "Demografia Médica 2018", divulgada nesta terça-feira pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Apesar de contar, em janeiro de 2018, com 452.801 médicos (razão de 2,18 médicos por mil habitantes), o Brasil ainda sofre com a escassez desses profissionais em muitas cidades do interior.

Considerando-se as regiões Norte e Nordeste, apenas o estado do Tocantins tem mais médicos no interior do que na capital (56,8% contra 43,2%). No extremo oposto está o Amazonas, onde 93,1% dos médicos se encontram na capital, Manaus, que, por sua vez, abriga pouco mais da metade dos cerca de 4 milhões de habitantes do estado.

Esse quadro de escassez de médicos nos interiores se repete em estados como: Sergipe, com 91,8% de seus médicos em Aracaju, e Amapá, com 89,5% dos médicos em Macapá. Em nove outros estados, mais de 70% dos médicos estão nas capitais. Um quadro diferente se observa nas regiões Sul e Sudeste, onde, além de maior taxa de médico por habitantes nos estados como um todo, há uma presença importante de profissionais nas cidades do interior.

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Em todo o Sudeste, 50,7% dos médicos estão em municípios do interior. Dentre os estados dessa região, apenas o Rio de Janeiro tem mais médicos na capital (64,4%) do que no interior (35,6%). Já na capital de São Paulo vivem 47,3% dos médicos do estado, contra 52,7% que atuam no interior.

O Sudeste é a região com maior densidade médica por habitante (razão de 2,81) contra 1,16, no Norte, e 1,41, no Nordeste. Somente o estado de São Paulo concentra 21,7% da população total e 28% do total de médicos do país. Por sua vez, o Distrito Federal tem a razão mais alta, com 4,35 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 3,55.

Na outra ponta estão estados do Norte e Nordeste. O Maranhão mantém a menor razão entre as unidades federativas, com 0,87 médico por mil habitantes, seguido pelo Pará, com razão de 0,97.

FALTA DE POLÍTICAS PÚBLICAS

Essa análise permitiu verificar que as taxas de médicos por habitantes mostram como o Brasil é um país de extremos, com cidades tão desprovidas de médicos quanto algumas localidades de países africanos. Por outro lado, constatou-se que em municípios entre 100 mil e 500 mil moradores esse índice fica próximo aos de países desenvolvidos. Já naqueles acima de 500 mil, a proporção médico/habitante muitas vezes supera à das nações europeias ricas.

Segundo o CFM, a chave do problema é que existem deficiências nas políticas públicas que geram maior concentração de médicos nas grandes cidades e no litoral, em especial nas áreas mais desenvolvidas, e nos serviços particulares em detrimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A manutenção desse problema, na avaliação das lideranças médicas, decorre da ausência de políticas públicas que estimulem a migração e a fixação dos profissionais nas áreas mais distantes dos grandes centros, de modo particular no interior das Regiões Norte e Nordeste.

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Dentre os principais problemas, está a precariedade dos vínculos de emprego, a falta de acesso a programas de educação continuada, a ausência de um plano de carreira (com previsão de mobilidade) e inexistência de condições de trabalho e de atendimento, com repercussão negativa sobre diagnósticos e tratamentos, deixando médicos e pacientes em situação vulnerável.

MAIS MULHERES NA PROFISSÃO

Os dados também mostram que a participação da mulher na profissão vem crescendo. Atualmente, os homens ainda são maioria entre os médicos, com 54,4% do total profissionais, ficando as mulheres com uma representação de 45,6%. Porém, essa distância vem caindo a cada ano, sendo que o sexo feminino já predomina entre os médicos mais jovens, com 57,4% no grupo até 29 anos, e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos.

Dois estados já registram mais mulheres médicas do que homens: Rio de Janeiro, onde elas somam 50,8% dos profissionais, e Alagoas, com 52,2%.

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