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Sidney Klajner, médico: "É muito dinheiro e muita doença à toa"

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“Nasci em São Paulo. Quando me formei na Faculdade de Medicina da USP, em 1991, ainda muito jovem, eu tinha um sonho: trabalhar no melhor hospital da América Latina, posição que, na época, já era ocupada pelo Einstein. No início do ano, assumi a presidência e o desafio de dar seguimento à jornada de crescimento e realizações da instituição.”

Conte algo que eu não sei.

Cuidar da atenção primária, em relação à saúde da população, é o que causa de fato mais impacto e custa muito menos do que qualquer tratamento que envolva tecnologia, alta complexidade, com investimentos muito mais caros. Fomentar políticas de prevenção à saúde é o caminho para termos um sistema de saúde sustentável, que consiga atingir um número de pessoas muito maior do que alcança atualmente.

Como ampliar esse acesso?

Entre 27 e 30 de agosto, o Einstein, em parceria com o Institute for Healthcare Improvement, vai realizar no WTC São Paulo o Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde. Vamos discutir questões da saúde populacional ao lado de questões de qualidade do cuidado em hospital. Cuidar da saúde como um todo envolve três políticas: o melhor tratamento, o melhor cuidado e o menor custo.

Como cortar custos?

Quando falo em custo, quero envolver o assunto desperdício. Quando você tem um sistema de saúde em que os gastos são enormes em situações totalmente evitáveis, aí é que está o desperdício. E aquilo que é evitável é o que vai promover a saúde ao longo do tempo.

Pode dar um exemplo?

No Brasil, 120 milhões de pessoas na idade adulta não fazem exercícios. Eu me refiro a ao menos meia hora de caminhada por dia. Por outro lado, 30% das internações no país por doenças crônicas seriam evitadas com um mínimo de atividade física. E isso envolve R$ 700 milhões ao ano, com internações por hipertensão, diabetes e obesidade no SUS. É muito dinheiro e é muita doença à toa.

Como o conceito de cidade saudável, um dos temas do fórum, pode mudar esse quadro?

Cidade saudável é uma proposta da década de 1970, após um modelo conceitual de saúde que originou a Carta de Ottawa, no Canadá. Não se trata de ter uma cidade onde os indivíduos são livres de doenças. Nas cidades saudáveis, todas as decisões de seus governantes priorizam a saúde da população. Envolve um papel social e uma intersetorialidade grande. Fazer Olimpíadas no Rio é um modo de você dar uma atenção para a atividade física e certamente vamos colher frutos no futuro. Assim como garantir um transporte público que faz o cidadão abandonar o carro. Segurança também é importante, porque envolve estar livre para andar nas ruas. Prover a cidade de wi-fi torna as pessoas mais bem informadas.

A adoção de tecnologias avançadas em primeira mão é uma marca do Einstein. Isso segue ou está mudando?

A tecnologia é adquirida segundo uma plataforma de valor. Inauguramos um centro de tecnologia robótica e tivemos sucesso porque houve uma preocupação com o benefício que o robô traria para a população. Em urologia, o câncer de próstata tratado pelo robô causa menos incontinência e muito menos impotência. Isso justifica investir numa altíssima tecnologia. Ou você pode cair no risco da banalização mercadológica da tecnologia para atrair um paciente, porque a máquina tem duas luzinhas e faz pim-pim a mais.

Mesmo à frente do Einstein, o senhor ainda opera. Como encontra tempo?

Às 5h45, já estou no centro cirúrgico. Até as 8h30, fiz dois ou três procedimentos. Fico na presidência das 9h até cerca de 15h e faço consultório até umas 20h. Pratico exercícios um dia da semana e aos sábados e domingos. E quando alguém diz que não tem tempo, eu dou risada.

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